O Espírito Santo nos ensina a nos tornarmos paráclitos

10599663_602405649871201_7702377706903070025_n Queridos paroquianos, irmãos e irmãs, escrevo estas linhas na Cidade Eterna, Roma, junto da Sé de São Pedro, onde vim para participar do 3º Retiro Mundial dos Sacerdotes, um evento destinado a bispos, sacerdotes e diáconos, os quais são “chamados à  santidade  para  uma  Nova  Evangelização.”

Este é justamente o tema do retiro. Não poderia deixar de partilhar com vocês esta grande graça que tenho experimentado.

No entanto, não posso me dispensar de lhes fazer um sincero e profundo agradecimento pelas orações intensas com que têm me acompanhado não somente pela viagem e pelo retiro, mas, já antes, quando rezaram pela minha recuperação da cirurgia refrativa que fiz para correção dos graus da miopia. Muito obrigado.

Registro também minha gratidão pelo empenho da comunidade neste último mês, tão intenso em atividades em nossa paróquia. O mês de maio, devotado a Maria, foi muito bem vivido, graças a Deus e à colaboração de muitos. Foram momentos celebrativos, formativos, missionários… belos, ricos, profundos.

Certamente, crescemos no espírito de serviço, de sacrifício e de doação, a exemplo de Maria, nossa Mãe Rainha. Isso sem contar as grandes solenidades que pudemos celebrar, das quais pudemos beber para nossa espiritualidade cristã: Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi… Aliás, que beleza foi ver a UNIDADE acontecendo entre nós.

Refiro- me, especialmente, aos tapetes, aos enfeites, às doações, agasalhos e alimentos, preparadas para o dia do Corpo e do Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e, evidentemente, à própria procissão e Missa daquela Quinta-feira, que nos recordou: “somos muitos, mas formamos um só corpo, a Igreja, num único e mesmo Pão” (cf. 1 Cor 10,17).

Poderíamos mencionar ainda os momentos de celebração e confraternização das comunidades que celebraram seus padroeiros, Santa Rita e Beato João Batista Scalabrini.

Nossas atividades litúrgicas e pastorais para junho também vão precisar do nosso empenho, trabalho, disposição e oração.

Lembro, de modo particular, das celebrações “juninas”, dos santos Antônio, João, Pedro e Paulo. As tradicionais festas deste período, com suas danças, comidas e bebidas típicas, além das quadrilhas e vestes. Celebraremos também a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, no dia 12 de junho, dia de oração pela Santificação do Clero. Aproveito para lembrar-lhes: rezem por nós, padres, e pelo nosso ministério!

Haverá ainda alguns eventos promovidos pelas pastorais, como, por exemplo, o “encontro para namorados”, no dia 13 de junho, e a “Semana do Migrante”, de 14 a 21 de junho, dentro da qual se realizará o tríduo e a Missa de Nossa Senhora dos Migrantes.

Aproveito o que já pude ouvir e rezar aqui em Roma, na Basílica São João de Latrão, Catedral do Papa – quanta graça! – para encerrar essas linhas. No coração da Igreja, a experiência é de um renovado Pentecostes: são diferentes línguas, raças e nações reunidos na mesma fé.

O padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, fez uma reflexão pertinente. Vale retomá-la para orientarmos nossa caminhada rumo à santidade que Deus espera de nós. Ele falou justamente sobre o título deste espaço: “o Espírito Santo nos ensina a nos tornarmos paráclitos”. O nome do Espírito é Paráclito, Defensor, Advogado e Consolador.

Assim o chamam antigos cantos e orações da Igreja a Ele. Assim o chamou o próprio Jesus. Da contemplação e da adoração do Paráclito, tiramos uma consequência prática e operacional para nossa vida pastoral na paróquia. De fato, não basta apenas estudar ou conhecer o significado de “Paráclito” e nem tampouco honrar e invocar o Espírito Santo com este dulcíssimo nome. Cada um de nós deve tornar-se também um paráclito! O cristão sempre é chamado a ser alter Christus (um outro Cristo). Mas deve ser também “outro Paráclito”. Este é um título para imitar e viver, não só compreender.

Ser paráclito é ser, antes de tudo, consolador (cf. 2 Cor 1,3-4). É assim que devemos ser na vida cristã, na paróquia, em nossas famílias e pastorais: consoladores. Mas, consolar como? Com a própria consolação com que cada um de nós é consolado por Deus. Com consolação divina, e não humana. Assim se explicam os grandes e simples milagres cotidianos de uma pequena palavra amiga na hora certa, ou um gesto feito em clima de oração, com fé na presença do Espírito. Vejam como isso acontece, por exemplo, junto à cabeceira de um enfermo ou idoso que visitamos. É Deus quem consola através de nós.

Em certo sentido, nos disse o Padre Raniero, “o Espírito necessita de nós para ser Paráclito. Ele quer consolar, defender e exortar; mas não tem boca nem mãos nem olhos para ‘dar corpo’ à sua consolação. Ou melhor, tem nossas mãos e nossos olhos e nossa boca. Tal como a alma age e se move e sorri através dos membros do nosso corpo, assim também faz o Espírito Santo com os membros do “seu” corpo, que é a Igreja, que somos nós.” “Consolai-vos mutuamente” (1Ts 5,11), ao pé da letra, o verbo grego traduzido é “façam-se paráclitos” uns dos outros.

Enfim, quanta riqueza de vida espiritual nessas palavras. Empreendamos esforços para vivê-las! E lembremos também em nossas orações de nosso Bispo, já tão amado, dom Eduardo, sdb, que tomará posse no próximo dia 21 de junho, em Jaboticabal. Que ele e seu ministério sejam para nós “Consoladores”. Amém!

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