TEMPO DA CELEBRAÇÃO – SEBASTIÃO DE M. VIANA JUNIOR

DSC02347Coisa engraçada é o tempo, não?

Medimos o tempo de todos os modos possíveis: anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e assim por diante, até chegar a um ponto em que não se consegue mais medir. O tempo vai passando e nós vamos passando com ele.

O tempo passa, nós envelhecemos, e não temos controle sobre isso.

Santo Agostinho escreve que “nossos anos vão  e  vêm,  para  que  venham  todos”  (Livro  XI – Confissões); é como se dissesse: “a vida passa, e quando todos os anos tiverem chegado, então será a hora de nos apresentarmos a Deus para lhe prestar contas de toda nossa vida.” Vocês podem estar se perguntando: por que todas essas considerações? É para assustar? Não! Longe de mim tal intenção!

O fato de eu ter escrito essas coisas inicialmente se explica por que já se passou quase um semestre inteiro deste ano de 2015. É como as pessoas dizem:“Nossa! Como este ano está passando rápido!” Percebe-se na voz delas um tom de susto, de espanto, pelo fato de perceberem o tempo passando ou por se darem conta de que já estamos em junho. E sem querer assustar, o que quero é fazer com que vocês percebam o tempo de outro modo, como se o estivessem olhando de outro lugar, o lugar de quem é cristão.

Se o virem deste ponto de vista, não vão se assustar como quem pensa: “Meu Deus, o tempo tem passado rápido demais; quase não percebi. Nem ao menos consegui aproveitá-lo melhor”; mas vão dizer: “Cada minuto de minha vida foi precioso, pois percebi em todos eles a presença amorosa de Deus. Estou preparado para me apresentar diante de Deus e lhe prestar contas.”

Um exemplo de quem fez e pensou assim é São João Paulo II, que disse quase essas mesmas palavras quando completou 83 anos de idade. Penso que não seja preciso dizer muito mais depois disto.

Como cristãos, devemos perceber neste tempo que passa um tempo de salvação. Este é o ponto onde eu queria chegar. Mais do que o tempo cronológico, o que nos interessa é o ano litúrgico, o tempo da Graça de Deus. Há pouco, celebrávamos tempos fortes na Liturgia: Tempo do Natal, Quaresma, Semana Santa, Tempo Pascal… o que fizemos na verdade foi memória dos acontecimentos da Salvação, ou melhor, o que celebramos foi a história da nossa salvação desde o Nascimento de Jesus até Pentecostes, passando por seu Sofrimento, Morte, Ressurreição e Ascensão. Neste mês de junho, celebramos as chamadas Solenidades do Senhor.

Após a Festa de Pentecostes, que é o 50º dia depois da Páscoa, quando lembramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos em oração com Maria no Cenáculo (At 2,1-4) e marcamos o fim do Tempo Pascal, reiniciamos o Tempo Comum, que, já tendo começado depois da Festa do Batismo do Senhor, foi“interrompido”pela Quaresma. Dentro deste Tempo Comum, no qual celebramos os mistérios da vida pública de Jesus, temos as Solenidades da Santíssima Trindade, de Corpus Christi e do Sagrado Coração de Jesus.

De todos esses momentos fortes do ano litúrgico da Igreja somos chamados a participar. Por quê? Justamente porque Deus invade o nosso tempo cronológico, esse que passa e nos envelhece, e o torna um tempo marcado por sua presença amorosa que dá pleno sentido à nossa vida inteira. Esta é a proposta da Igreja:“celebrem o ano litúrgico acreditando fielmente que Cristo está vivo e presente entre vocês. Tenham como centro de toda celebração, e mais ainda, de toda a sua vida Jesus Cristo que morreu e ressuscitou por amor a vocês. E que amor!”

Se de fato acreditarmos que Deus entrou em nossa história e começarmos a percebê-lo mais nos acontecimentos do dia-a-dia, nosso ritmo de vida ganha outro sentido. Não mais aquele que assusta com a passagem do tempo, mas um novo que, pelo contrário, revigora e rejuvenesce nossa existência. Acreditem. Lembrem-se de Deus a cada hora do dia, façam oferecimentos e agradecimentos… pequenas coisas fazem diferença. Porém, não se esqueçam de celebrar na vida comunitária. Não deixem de participar. Participar da celebração destes mistérios da vida de Cristo é fazer com que enchamos nossa vida da presença de Deus. É a Liturgia presente em nossa vida.

Que beleza!

Sebastião de M. Viana Junior

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